Falácia: definição e problemas associados

15-05-2014 00:03

Um argumento é falacioso quando parece que as razões apresentadas sustentam a conclusão, mas na realidade, mas na realidade não sustentam”.

 
 
Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso.
Os argumentos falaciosos podem ter valor emocional, íntimo, psicológico, mas não validade lógica. É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.”
 
A noção de falácia é difícil, por ser ambígua: existem diferentes tipos de falácias (formais e informais), cada um dos quais com um ou mais critérios diferentes. Assim, não há maneira de dar uma definição que seja ao mesmo tempo simples e suficientemente abrangente.
 
As falácias são argumentos ou raciocínios que aparentam sustentar a conclusão, mas que não o fazem. Estes argumentos/raciocínios são falaciosos porque...
  • aparentam ser válidos/dedutivos sem o ser (ex., f. da afirmação do consequente);
  • inferem uma conclusão incorrecta (ex: falácias da negação da condicional)
  • são argumentos indutivos sem nexo considerado suficiente para justificar a premissa (ex.:, generalização apressada).
  • não têm premissas verdadeiras (ex., falso dilema)
  • omite informações relevantes (ex., falso dilema, ...)
  • distorce informações (ex., homem de palha)
  • manipula o público (argumentos baseados em emoções, falácia ad hominem)
 
A partir desta lista podemos verificar que os critérios de classificação das falácias não são simples, o que faz com que um argumento possa ser considerado uma falácia segundo um critério e uma não falácia segundo um outro critério.
Por exemplo, se a validade for um critério, os argumentos indutivos serão considerados falácias, o que parece ser um conclusão precipitada, uma vez que deixaria de fora todas as teorias científicas. Por outro lado, se tivermos em conta a verdade das premissas, um falso dilema será uma falácia, apesar de ser um argumento dedutivo (válido). Desta forma, a classificação de um argumento como falácia daquilo que dela esperamos: se quisermos utilizar um dilema como exemplo de uma forma dedutiva/válida, vê-lo-emos como tal; mas se partirmos de uma premissa falsa do tipo “ou és do Benfica, ou és mau chefe de família”, então teremos uma falácia.
 
Outra dificuldade da definição de falácia, comum aos diferentes textos que lemos, é introduzida pela utilização do verbo aparentar: este acrescenta um elemento subjectivo que não pode ser medido com precisão e que introduz uma nova ambiguidade: se uma determinada forma é para mim um erro óbvio, não a verei como falácia; mas se for para mim uma forma enganadora, já passará por falácia...
 
O manual define falácia como argumento não cogente, mas esta definição cobre apenas uma parte das falácias, uma vez que um raciocínio cogente é um raciocínio válido, e uma vez que um raciocínio é válido (na acepção dada por Tarski, que seguimos) se a sua conclusão for verdadeira em todas as circunstâncias possíveis que tornam verdadeiro o conjunto das suas premissas.
(A pretensão do manual faria sentido se aceitássemos a sua noção ambígua de validade, a qual ora se define por um critério formal, ora se define por um critério material. Até agora não vimos esta acepção senão no manual que estamos a utilizar. As obras de referência que temos utilizado seguem a definição de Tarski, fomulada em termos mais ou menos técnicos.)
 
AAVV - Enciclopédia de termos logico-filosóficos, Lx, Gradiva 2002
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%A1cia (veja neste site uma lista de falácias)